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No início era a escuridão... das cavernas
"Éramos dois amigos, Isaac Chvaicer e Osvaldo Egídio de Oliveira, ambos alunos do primeiro ano da Escola Politécnica da USP e associados ao Clube Alpino Paulista. Íamos chacoalhando dentro do ônibus circular do campus quando tivemos uma idéia: criar uma entidade esportiva que reunisse alunos das diferentes faculdades da USP para a prática de montanhismo, exploração de cavernas e atividades subaquáticas. Conseguimos uma sala de reuniões no Crusp, saímos colando cartazes de excursões em lanchonetes e restaurantes da Universidade e a idéia vingou!" -- Isaac Chvaicer, sócio fundador
Como contam os fundadores Chvaicer e Oliveira, o CEU foi criado em 1970 na Universidade de São Paulo. Os sócios -- que, no início, eram todos alunos da USP -- praticavam caminhadas, espeleologia e mergulho. O objetivo, que pernacece até hoje, era desenvolver atividades de lazer na natureza com respeito ao meio-ambiente. Alguns sócios do CEU desenvolveram trabalhos acadêmicos sobre cavernas, animais silvestres e outros assuntos ligados à natureza. Mas a maior vitória do clube é a sensação de bem estar e encantamento que essas atividades trazem aos associados.
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"Entrei no CEU em seu mês de fundação, setembro de 1970. Foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida. Foi tão importante que acabei mudando de opção profissional. Busquei uma que me proporcionasse um contato estreito com a natureza. Para isso, a visão do imponente portal rochoso da caverna Casa de Pedra, na minha primeira excursão, talvez tenha influenciado. Eu queria entender como se forma um monumento natural daqueles. No final do segundo ano de Física, pedi transferência para a Geologia." -- Helio Shimada, sócio nº 23
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Nos anos 70, a espeleologia foi a atividade mais importante no CEU. Os espeleólogos celestes descobriram, exploraram e mapearam dezenas de cavernas. As explorações foram do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, ao parque nacional de Ubajara, no Ceará. Em Goiás, os celestes conquistaram a gruta São Mateus-Imbira que foi, durante muitos anos, a maior caverna conhecida no Brasil. Também fizeram o primeiro experimento de permanência prolongada numa caverna brasileira, a Operação Tatus. Nele, uma equipe do CEU viveu durante 15 dias na caverna Santana, no Vale do Ribeira, sem ver a luz do dia.
Então, fez-se a luz... das montanhas
Nos anos 80, as atividades em cavernas se reduziram, enquanto a canoagem, a escalada em rocha e o mountain biking ganharam muitos adeptos. O CEU foi pioneiro na canoagem oceânica no Brasil. Já nos anos 70, uma equipe do clube remou de Iguape, no estado de São Paulo, a Paranaguá, no Paraná, em caiaques. Nos anos 90, o clube realizou três expedições no Pantanal. Na primeira delas, os canoístas do clube desceram 400 quilômetros pelo rio Taquari, em Mato Grosso do Sul.
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O Departamento de Escalada sempre foi um das mais ativos no CEU. Nos anos 90, muitos dos sócios estiveram escalando nos Alpes, nos Andes, nas Montanhas Rochosas e em outras grandes cadeias de montanhas. Os cursos do clube formaram centenas de novos escaladores. Poucos continuam no CEU, mas muitos estão por aí, disputando campeonatos ou divertindo-se nas montanhas geladas e paredões rochosos.
"O que mais me agrada nessa vida de excursionista é que num fim-de-semana estou escalando em Itatiaia. No outro, explorando uma caverna no Vale do Ribeira. E, no feriado, pegamos as canoas e passamos quatro dias remando na região de Cananéia. Nenhum fim-de-semana é monótono." -- Vilson Sarto, sócio desde 1985
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Hoje, a preservação ambiental e o acesso às áreas naturais para recreação estão entre as preocupações dos celestes. O CEU foi a primeira organização a divulgar o excursionismo de mínimo impacto no Brasil, no início da década de 90. O clube preocupa-se com os estragos causados às áreas naturais, mas se opõe às proibições de acesso a essas áreas e defende uma política de visitação sensata. O CEU se empenha em mostrar que o excursionismo é totalmente compatível com a preservação ambiental. Nos anos 90, o clube foi um dos fundadores da Femesp, a Federação de Montanhismo de Estado de São Paulo.
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"Freqüentei o CEU por mais de doze anos e muito me orgulho disso. Lá aprendi coisas que até hoje ponho em prática: companheirismo, respeito pelo ser humano e pela natureza, alegria de viver e espírito esportivo. No CEU, conheci muitos amigos e amigas que, hoje, ocupam lugar de destaque na área acadêmica e profissional. Eles me ajudaram a aprender o valor da auto-confiança, da determinação, da coragem e do respeito aos nosso limites." -- João Allievi, empresário e espeleólogo
© Fotos: Travessia Petrópolis-Teresópolis - Pedro Martins, CEU, 2004; Caverna - Ky MacPherson, 2005; Canoagem em Furnas - CEU, 2005; Escalada na pedra do Bauzinho - Pedro Martins, CEU, 2005.
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