A Doida

por escritor Email

Pessoal, saudações.

Dando início aos relatos de excursões e outros "causos", contarei a respeito do episódio ocorrido durante viagem ao Nordeste, em julho de l976. Aconteceu no interior do Piauí. O grupo era reduzido: eu, Jair, Cacilda e Jacira. Já havíamos percorrido vários estados e a cada lugar novo por onde passávamos, novos fatos pitorescos juntavam-se às peripécias vividas. A certa altura, porém, parecia que já tínhamos passado por tudo o que teríamos direito naquela viagem. Mas, não foi bem assim.

Resposta:

Deixamos Teresina por volta das nove da manhã com destino a Piripiri, situada a uns l70 km da capital. Nosso objetivo era conhecer o Parque Nacional das Sete Cidades. O ônibus estava com a lotação quase completa. O único banco vazio era aquele do fundo, com cinco lugares. Estávamos acomodados bem à frente, próximos ao motorista.

Passados aproximadamente vinte minutos ouvimos um "buxixo" estranho no fundo do ônibus. Tratava-se de uma mulher com idade beirando os quarenta, mais ou menos, e que parecia um tanto agitada. Quando todos os passageiros voltavam suas curiosas atenções na direção da fulana, a mulher se levantou e correu para a frente gritando, como que alucinada: "Pare. Pare, eu quero descer!" Talvez, imaginando que a passageira tivesse algo de fisiológico para resolver, o motorista encostou e abriu a porta. Imediatamente a mulher saltou e começou a correr desembestada ao longo do asfalto, deixando estupefatos o motorista e passageiros.

Vencidos os primeiros metros desta estranha largada, a infeliz começou a arrancar as roupas até ficar nua de tudo. O motorista, consciente das suas responsabilidades, ordenou imediatamente a alguns "cabras" que fossem atrás dela. E lá se foram três valentes, sob sol nordestino no encalço da desvairada. Qual não deveria ser o espanto dos poucos caminhoneiros que passavam a toda velocidade, ao ver três caras correndo atrás de uma mulher sem roupas em pleno agreste!

Alcançaram-na bem longe do ônibus. Foi como pegar um touro à unha. Sobravam coices, cuspidas, unhadas e palavrões para todos. Vocês já viram alguma mulher possuída pelo "Tinhoso"? Não? Pois eu já. Era ela! Só faltou girar a cabeça 360 graus para comprovar cientificamente a possessão.

Após um esforço tremendo conseguiram deitar a dona no banco do fundo do ônibus. Alguém, felizmente lembrou de catar as roupas espalhadas pelo asfalto. Complicado era fazer com que a mulher se mantivesse coberta com toda aquela agitação.

A esta altura dos acontecimentos, eu e meu amigo Jair, resolvemos deixar a cômoda posição de espectadores e decidimos que era hora de agir. Os demais passageiros nem perto queriam chegar.

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